“Treinem as pessoas para se reunirem continuamente em oração. Acorde-os com súplicas incessantes. Há uma arte santa nisso.” (C. H. Spurgeon)

sábado, 23 de maio de 2009

Borboletas são tão belas




Ai... como gosto de contemplar a natureza. Ultimamente tem sido algo bastante prazeroso, pois até mesmo a temperatura de Porto Alegre tem ajudado. Nos últimos três dias têm feito sol. Céu azul. Folhas verdes e marrons caídas no chão, no gramado, nas ruas.... Outono! Que delícia! É inevitável deixar de correr para o cantinho do pátio onde moro e ficar ali....à espreita do que Ele mostrará e falará. Mas se Ele não falar?? Sim, no início é frustrante, mas há uma obrigação de se ter alguma palavra??

Nosso problema é este! Querer falar demais e obrigá-LO a falar logo conosco. Uhm.... como é bom aprender a observar a dinâmica dos seres criados por Ele. Cada um tem sua função no reino animal. Fecho meus olhos e as ouço. Abro meus olhos e as observo e sinto. Ouço o barulho do vento sobre as folhas, ele as derruba ao chão! Quando meus pensamentos estão concentrados em coisas tão distantes de uma possível realidade, Ele me chama a atenção com uma folha desfalecendo à terra. É essa a sensação que tenho... rapidamente sou despertada das profundezas de meus pensamentos e observo a fragilidade da folha caindo... sinto que Ele tenta falar algo comigo. Sinto que Ele me chama a atenção para algo... olho rapidamente à minha esquerda, questão de segundos ainda consigo presenciar a cena. Penso: o que Ele quer falar com esta cena? Não sei se estou conseguindo ser entendida....talvez esta não seja minha pretensão, na íntegra. Estou escrevendo . Sem observar as concordâncias. Aliás, nem percebo que na vida há muito mais discordâncias do que concordâncias!  Entretanto, não no Reino Dele. Enxergamos incoerências em nossas vidas onde para Ele não há! Tudo acontece na mais perfeita coerência e coesão! Termos gramaticais à parte. Não tinha intenção de mencioná-las mas elas vieram à mente. O que farei? Desprezá-las? Não! Sou representante das palavras e posso abusá-las delas tanto quanto Érico Veríssimo fez , e menciona em um de seus livros o qual gosto muito:  " Gigolô das palavras". Não pretendo ser uma... mas concordo que as palavras têm um Q especial e podemos desfrutar as suas multiformes caras.


Enfim... voltando .... "borboletas são tão belas, o que seriam delas se não pudessem voar" esta canção da não sai da minha cabeça enquanto observo o trajeto que elas fazem todas as manhãs. Engraçado, neste local nunca olhei tanto para elas quanto agora. Será que na minha terra não há?! Ah sim... mas talvez fosse um pouco insensível a elas; as tratava com indiferença. Desta vez não... elas estão me conquistando... cada uma mais linda do que a outra. Como fico curiosa de vê-las. Elas cariosamente exibem suas performances e acrobacias em torno de seu habitat predileto: as flores e folhas. Hoje especificamente fiquei admirando duas delas. Seriam tão iguais senão tivesse percebido que uma era maior que a outra. Viajei. Será que são namorados??!!! Ri. Pareciam que estavam brincando de pique esconde; onde uma ia, a outra ia atrás; uma passava voando rapidamente com suas asas que nunca paravam de bater entre os espinhos e a outra corria à sua procura. Elas subiam e desciam ao ar. Faziam piruetas e se encontravam! Que lindas....elas brincam... elas vivem sua natureza! "Borboletas são tão belas, o que seriam delas senão pudessem voar"... ouso dizer que um dia elas estavam no chão e tiveram a chance de sonhar. Sonhar a liberdade que mal sabiam que estava dentro delas. Elas não sabiam que sua natureza era passar o resto de suas vidas livres, voando sem parar... quando as vejo batendo tanto suas asas penso: será que elas não se cansam? As borboletas se cansam? Para onde elas vão à noite? Onde elas repousam? Um dia elas tiveram a chance ter ao seu alcance o que as fez transformar... escuridão e brilho... do chão para o céu... talvez por isso que elas raramente tocam o chão quando decidem dançar. Jamais deixarão de viver a cada dia a oportunidade que a natureza lhes deu: voar. Que privilégio! Acho que hoje elas veem como valeu a pena o período da metamorfose. Elas viram que na verdade a dor deste período sempre tem fim. É nesta fase que elas descobrem o potencial que estava dento delas. Agora seu coração diz: - VOCÊ JÁ É FELIZ, VOE PARA BEM LONGE E PARA ONDE VOCÊ QUER, COMO SEMPRE QUIS... lá lá lá lá lá láiáaa



Quando olhamos para elas nunca lembramos que um dia elas foram lagartas incapacitadas de alcançar os céus. Será que elas sempre se lembram disto quando olham para suas asas? Ainda reflito... e presto a atenção ao que Ele quer me falar. Sorrio serenamente, discretamente para elas!






Trechos readaptados da música Borboletas, de Luciana Melo.